Normalmente, ensaios fotográficos são feitos por pessoas que gostam de ser fotografadas e que estão num momento feliz da vida, que querem mostrar alguma data especial, como casamento, gestação, pré-wedding, entre outros…

 

Como já bem falado por aqui, sofri muito com violência doméstica e sei que quem passa por isso, vai ficando com a auto estima minada, não quer mais saber de fotos e nem de aproveitar a vida. Momentos dolorosos que, além do corpo, ferem a nossa alma, muitas vezes em que achamos que nunca mais seremos as mesmas.

 

Hoje eu vim aqui falar um pouco sobre isso com vocês e de contar sobre ensaios fotográficos que uma agência de modelos maravilhosa daqui de São Paulo, a My Cast, realizou com mulheres guerreiras incríveis que já passaram por todo esse tormento da violência doméstica e agora estão livres e recuperadas. O que poderia ser melhor para levantar a auto estima dessa mulherada do que um incrível ensaio para mostrar como elas são lindas e acima de tudo, sobreviventes?

A violência doméstica e o impacto dela na auto estima da mulher

Que a qualidade de vida da mulher, vítima de violência pelo próprio companheiro é afetada, isso já conseguimos imaginar, mesmo que não possamos mensurar. Agressões físicas e verbais vez após vez vão minando sua saúde como um todo e causam um imenso prejuízo em sua vida.

 

Por se tratar de uma violação básica dos direitos humanos, a violência doméstica já é considerada um problema de saúde pública. Para entendermos melhor, precisamos categorizar o que é considerado violência doméstica para só então conseguir averiguar quais os impactos que isso causa na auto estima das mulheres.

 

Violência doméstica é o ato explícito ou velado, literalmente praticado dentro de casa ou no ambiente familiar, por parentes de ordem civil ou natural. Suas formas, normalmente abrangem:

 

  • Violência física: Que segundo a Lei Maria da Penha, é a conduta que ofenda a integridade ou saúde corporal da mulher;
  • Violência psicológica: Essa é entendida pela Lei como qualquer conduta que cause dano emocional e diminuição da auto estima, ou então que a prejudique, perturbe seu pleno desenvolvimento ou ainda, que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição, insulto, chantagem, ridicularização, exploração, e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação.
  • Violência sexual: é entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos;
  • Violência patrimonial: Entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades;

 

Por violência doméstica contra a mulher se entende todo agravo causado pelo homem, que tenha ou pode ter como resultado um dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico, inclusive as ameaças de tais atos, a coerção ou a privação arbitrária da liberdade, tanto se produzidas na vida pública quanto na vida privada.

 

Viram como existem diversos tipos de violência que a mulher pode sofrer dentro de um relacionamento e que acabam por minar como que por completo toda a confiança em si mesma e sua auto estima?

 

As consequências a longo prazo da violência doméstica não afetam apenas a auto estima das mulheres, mas provoca sérios danos de âmbito físico, cognitivo, social, moral, psicológico ou afetivo. São inúmeros os sintomas psicológicos apresentados pelas vítimas, como falta de concentração, irritabilidade, pesadelos, insônia, problemas mentais sérios como depressão, ansiedade, síndrome do pânico, transtorno de estresse pós traumático, entre outros.

Dados alarmantes sobre violência doméstica no Brasil  

Nos estados brasileiros, 1.583 mulheres foram mortas por seus companheiros (Waiselfisz, 2015) e a central de atendimento à mulher, ou “180”, já registrou 4.488.644 atendimentos, em 2015. Desse total, 51,16% eram casos de violência física; 4,06% de violência sexual; 30,92% de violência psicológica; 10,8% de violência moral e patrimonial. Na maioria dos casos de reincidência de violência, foi identificada a recorrência maior com pessoas do sexo feminino, 49, 2%, enquanto com o sexo masculino chega a ser menor que 30% dos casos de reincidência (Waiselfisz, 2015).

 

Já dados mais recentes publicados em fevereiro de 2019 mostram que nos últimos 12 meses, 1,6 milhão de mulheres foram espancadas ou sofreram tentativa de estrangulamento no Brasil, enquanto 22 milhões (37,1%) de brasileiras passaram por algum tipo de assédio. Dentro de casa, a situação não foi necessariamente melhor. Entre os casos de violência, 42% ocorreram no ambiente doméstico. Após sofrer uma violência, mais da metade das mulheres (52%) não denunciou o agressor ou procurou ajuda.

 

Infelizmente, a razão para tudo isso é mais cultural do que relacionada à políticas públicas, ainda é muito mais importante educar nossos meninos com uma perspectiva de prevenção desse tipo de violência doméstica. Claro que leis mais duras e punitivas como já temos a Lei Maria da Penha, a alteração na lei do estupro, a lei do feminicídio, a de importunação sexual, são todas boas, mas a lei por si só não resolve o problema. O menino que vê o pai batendo na mãe vai reproduzir o comportamento na própria esposa. A menina que sofre violência sexual dentro de casa e muitas vezes nem sabe que aquilo é um abuso. Se ela ouvir falar sobre isso na escola, talvez identifique que seja uma vítima.

 

Por isso achei tão importante e fiquei muito feliz com esse ensaio promovido pela My cast, com esses dados, precisamos achar meios dessas mulheres serem ajudadas, encorajadas, lisonjeadas mesmo porque elas merecem, são guerreiras, são sobreviventes realmente! Espero que tenham gostado dessa iniciativa linda e recomendo a agência para quem se interessa em ser modelo também e queira ser agenciada por eles!

 

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